CONJUNTO HABITACIONAL DO CARIANOS

7 dez

INTRODUÇÃO

Nosso projeto deu início com a escolha de uma servidão. Após algumas análises, escolhemos a Servidão Gervásio José da Silva, localizada no bairro Carianos, no sul da ilha de Florianópolis, próxima ao aeroporto da cidade e ao manguezal do Rio Tavares.

Servidão Gervásio José da Silva

Sua topografia se desenvolve basicamente plana, e sua extensão é de 560 metros, com início em uma avenida de tráfego intenso e final no limite do mangue. As edificações já existentes estão nas bordas da quadra, restando no interior uma faixa e terrenos livres. Originalmente, a faixa de terrenos relacionados à servidão era de apenas 15 metros de largura. Porém, hoje existe ao lado da servidão um terreno de aproximadamente 20 metros de largura, sem nenhum uso específico, tornando possível sua implementação à área da servidão original. Deste modo, com a desapropriação das casas da rua vizinha, visando nossas diretrizes de projeto, a largura total do terreno passou para 55 metros, conferindo mais liberdade à implantação do conjunto habitacional.

Lotes vazios e edificados

Área total utilizada no projeto

Segundo o plano diretor, há um projeto de criar uma grande área verde de lazer para o bairro no limite entre ele e o mangue. Tirando partido desse projeto, optamos por transformar a servidão em um canal de ligação entre o bairro e a futura área verde.

Propostas de áreas verdes para o bairro

Assim, a servidão, constituída anteriormente por vários lotes, torna-se um lote único em nosso projeto, quebrando a obrigatoriedade de alinhar as edificações à rua. Elas podem estar deslocadas, criando espaços comuns de lazer entre as edificações e entre o público e privado, aproximando essa relação. As áreas entre os módulos agregam praças, equipamentos e áreas verdes que equilibram a relação da servidão com o parque linear na borda do mangue.

Quanto ao sistema viário, a rua da servidão foi ampliada e transformada em mão-única, com calçadas mais amplas em seus dois lados e a incorporação de uma ciclovia que se liga à do parque linear. Novos acessos também foram abertos no meio da quadra no sentido transversal, unificando a malha do bairro com a da servidão, permitindo maior permeabilidade.

Novos acessos e ciclovia

DIRETRIZES URBANÍSTICAS

  • Transformar a atual servidão em um eixo de ligação entre o bairro e a futura área verde do limite do mangue;
  • Criar um conjunto urbanístico e arquitetônico permeável, tanto visualmente quanto nos acessos do bairro à servidão;
  • Integrar os espaços públicos e privados de forma a não somente propiciar a interação entre os moradores, mas criar uma nova relação entre eles e a própria vivência comunitária;
  • Modificar a malha viária do bairro, criando novos acessos para carros ligando a servidão ao bairro;
  • Criar uma praça de entrada, que estará localizada num pequeno centro comercial, fazendo uma ligação com a praça já existente;
  • Entre os blocos edificados, proporcionar pequenas áreas verdes com equipamentos de lazer que estimulem o usuário a ir ao parque no final da servidão;
  • Ciclovias de acesso através da servidão, interligadas à ciclovia do parque linear;
  • Edificação ligada à cultura, na entrada do parque linear (final da servidão);
  • Associação de moradores junto com um salão de festas ou área de encontro da comunidade

    Perspectiva do conjunto (Clique aqui para ampliar a imagem)

IMPLANTAÇÃO

  • Implantação geral

A implantação geral foi pensada de modo a valorizar a relação da servidão, que se tornou um eixo verde de ligação, com o bairro e o próprio mangue. Deste modo, realizou-se um plano de densificação que visa transmitir ao usuário, em cada quadra criada, uma nova experiência deste com a natureza ao seu redor e o volume edificado.

Implantação Geral do Conjunto (Clique aqui para ampliar a imagem)

  • 1ª quadra

Na primeira quadra, manteve-se o caráter comercial da entrada da servidão, porém com a ampliação do que antes era um mercado para um centro comercial, que se une à praça de entrada da servidão. Escolhemos, deste modo, aliar a necessidade de densificar o volume edificado, para abrigar um maior número de pessoas, às sensações que pretendíamos criar ao longo da servidão. Esta quadra possui 14 casas (7 térreas e 7 de dois andares) e um único prédio de 4 andares, com 16 apartamentos por bloco, sendo 64 apartamentos no total, variando de 1 a 3 quartos.

Implantação da 1a quadra (Clique aqui para ampliar a imagem)

  • 2ª quadra

Na quadra seguinte, reduzimos a massa edificada, com um prédio de apartamentos com apenas 2 blocos, e 10 casas, sendo 5 térreas e 5 de dois pavimentos. Aumentamos então as áreas verdes, introduzindo o caráter de ligação verde no local. No final da quadra, um salão de festas com churrasqueira para o conjunto habitacional, integrado a uma área de lazer e próximo à edificação da zeladoria do conjunto, na próxima quadra.

Implantação da 2a quadra (Clique aqui para ampliar a imagem)

  • 3ª quadra

Na 3ª quadra, a presença do verde se torna bem mais clara ao usuário e ao próprio entorno com menos edificações e grandes espaços verdes. No final da quadra, fazendo a ligação com o parque linear do bairro, uma biblioteca/cafeteria atrai moradores diariamente para o parque.

Implantação da 3a quadra (Clique aqui para ampliar a imagem)

A implantação básica de cada módulo foi obtida através de estudos de insolação e ventilação, a fim de garantir melhores condições de conforto para a habitação. Porém, com o objetivo de inserir a servidão no contexto do bairro, com uma linguagem volumétrica semelhante ao seu entorno, seguimos a linha da rua como ordenadora da implantação, adaptando a planta baixa das residências para melhor adequar a essa proposta, rotacionando os módulos até eles ficarem com as fachadas voltadas totalmente para o norte, o sul, o leste e o oeste.

Assim, criamos aglomerados de habitações em faixas que se dispõem paralelamente ao eixo da servidão. Os módulos térreo e de dois andares, com 2 e 3 quartos respectivamente, estão dispostos em aglomerados de 4, 6 e 8 habitações cada, estando sempre a implantação destes com uma residência térrea intercalada com uma de 2 andares.

Implantação das casas (Clique aqui para ampliar a imagem)

Já os prédios de 4 pavimentos, com 1, 2 e 3 quartos, estão implantados na outra extremidade do terreno, criando outra faixa de edificações. Cada bloco, conectado ao outro por escadas, são intercalados de modo que um bloco tenha apenas apartamentos de dois quartos e outro bloco com apartamentos de 1 e 3 quartos.

Implantação dos prédios (Clique aqui para ampliar a imagem)

Perspectiva do bloco de apartamentos (Clique aqui para ampliar a imagem)

Essas duas faixas nas extremidades no lote deixam o meio livre e permeável, sendo usado para circulação, estar e lazer.

Perspectiva das faixas de casas e prédios (Clique aqui para ampliar a imagem)

DIRETRIZES DE PROJETO

  • Favorecer a ligação dos moradores com seu entorno, com uma conexão entre mangue e o bairro;
  • Criar uma nova forma de moradia, integrando o público e o privado, com casas sem muros, que tragam o exterior ao interior e vice-versa;
  • Dar opções de modificação dos espaços internos, com ampliações e a transformação de um quarto em escritório, sala comercial ou ofício;
  • Abranger diferentes perfis de família para o conjunto, através da disponibilidade de diferentes tipologias de habitação

    Passeio central da servidão, entre as faixas de casas e prédios (Clique aqui para ampliar a imagem)

HABITAÇÕES

As habitações fazem parte do Programa Minha Casa Minha Vida tendo assim características de habitações populares, com projetos que atentam ao baixo custo de execução aliados ao caráter social de moradias.

O projeto toma como base o ano de 2020. Assim, contando com algumas mudanças que ocorrerão até lá, como a construção do novo terminal do aeroporto e de um campus da UFSC, foram estabelecidos alguns fatores fundamentais, como a tipologia dos futuros moradores do bairro.

Aliando esses fatores a uma análise mais profunda das condicionantes do projeto, optou-se por trabalhar com três tipologias básicas: um, dois e três quartos, divididos em residências térreas e de dois andares e em prédios de quatro andares. O projeto constituiu-se através de módulos que se encaixam conforme a necessidade de cada bloco, criando um padrão que facilita a variação da tipologia das habitações, a concepção da estrutura e alguma provável futura ampliação.

Entrada das casas - Fachada leste (Clique aqui para ampliar a imagem)

Como a área próxima ao mangue esporadicamente alaga, as residências serão elevadas em 95cm em relação ao nível da rua. As vedações externas foram trabalhadas de forma a destacar um volume da edificação e quebrar a monotonia das fachadas, aliando isso ao conforto térmico. As fachadas de painéis de madeira ficaram voltadas para leste e sul nos prédios e para leste, sul e norte nas casas. As fachadas com insolação mais intensa, oeste, foram fechadas com placa cimentícia e suas aberturas são protegidas por pergolados.

Fachadas das casas protegidas por pergolados (Clique aqui para ampliar a imagem)

Pergolado nos fundos da casa (Clique aqui para ampliar a imagem)

Utilizaram-se também outros artifícios de conforto térmico. Como sistemas passivos, estudou-se a insolação e ventilação, buscando sempre a melhor alternativa para cada cômodo. Como sistemas ativos, o uso de painéis solares supre grande parte da demanda de energia das habitações, aliando economia à sustentabilidade.

O sistema de abastecimento de água levou em consideração que a concessionária forneça água com pressão e quantidade adequadas. Assim, eliminamos a caixa d’água superior e deixamos apenas uma no porão da casa, entre a fundação radier e a laje do pavimento térreo. Essa caixa alimentará as casas e os apartamentos por uma bomba.

Quanto ao acesso às casas, cada aglomerado de blocos possui uma rampa em cada extremidade do deck, e todos possuem escada. Nos prédios, a cada 4 módulos foram locadas escadas, e cada pavimento possui um corredor contínuo na fachada oeste, que já atende como brise.

As casas e os apartamentos possuem estacionamento coberto com vagas à 45° ao longo das vias que tangem a quadra.

Módulo de 1 quarto
          Os módulos de 1 quarto estão inseridos nos prédios de 4 pavimentos. Eles foram projetados basicamente para estudantes ou para um casal. Assim, pode-se apenas substituir a cama de casal por duas camas de solteiro, ou vice-versa.

Módulo de 2 quartos
          Os módulos de 2 quartos estão dispostos tanto nos prédios de 4 pavimentos quanto nos blocos térreos. Eles foram projetados para famílias de até 4 pessoas, onde os quartos podem ser ambos de casal ou solteiro, ou um de cada. Outra possibilidade também seria transformar um dos quartos em uma sala comercial ou de ofício e manter espaço para apenas duas pessoas no módulo.

Módulo de 3 quartos

Os módulos de 3 quartos estão dispostos tanto nos prédios de 4 pavimentos quanto nos blocos térreos de dois andares. Nessa tipologia, apenas as casas de dois pavimentos podem ser ampliadas. É o módulo que mais pode mudar com o decorrer dos anos. Como ele possui um terraço no pavimento superior, essa área pode ser utilizada para a construção de mais um quarto, totalizando 4 quartos  ou transformando o quarto do térreo em uma pequena sala comercial ou de ofício. Assim, esses blocos podem abrigar de 6 a 8 pessoas, sendo esta a maior capacidade do conjunto habitacional. Os quartos podem variar conforme a necessidade dos usuários, abrigando uma cama de casal ou duas camas de solteiro.

QUANTIDADE DE HABITAÇÕES

Casas Térreas – 19 unidades

Casas com dois pavimentos – 18 unidades

Bloco de apartamentos – 6 bloco, sendo que cada bloco possui 16 apartamentos

Desses blocos, 3 são de apartamentos de 2 quartos e 3 são de apartamentos intercalados em 1 quarto e 3 quartos, tendo então 24 aptos de 1 quarto, 48 aptos de 2 quartos e 24 aptos de 3 quartos

Assim, considerando-se 2 pessoas por quarto, em cada habitação têm-se:

Casa Térrea – 4 moradores por casa
76 moradores no total

Casa com dois pavimentos – 6 moradores por casa
108 moradores no total

Apartamentos:
Com 1 quarto – 2 moradores por apto – 48 moradores no total
Com 2 quartos- 4 moradores por apto – 192 moradores no total
Com 3 quartos – 6 moradores por apto – 144 moradores no total

Portanto, o total de moradores do conjunto é de 568 moradores.

SISTEMA CONSTRUTIVO

Os materiais utilizados foram escolhidos, além das vantagens apresentadas por eles, por motivos relacionados ao processo de construção industrializada para habitações de interesse social, que tem as seguintes bases:

  • sistematização dos produtos (utilização de componentes padronizados, os quais devem possuir características previamente estabelecidas, considerando fatores dimensionais, forma, peso, qualidade e desempenho como pontos primordiais dentro dos limites da aceitação).
  • especialização da mão de obra (divisão da obra em operações mais simples, dividindo-se em equipes de trabalhadores).
  • concentração de produção (aglomeração das casas, com controle de qualidade e utilização de matérias primas existentes na região).
  • mecanização (estratégias de produção e operações) .
Estrutura em Aço Leve (Light Steel Framing)
  • Fundação

Como nosso terreno está muito próximo ao mangue, a fundação utilizada é a do tipo radier, por transmitir mais uniformemente as cargas para o solo. Para evitar que a água entre na casa em casos de alagamento, ela será elevada do solo 95cm. Essa elevação é feita através de pilares de concreto, que não comprometem a estrutura ao ficarem ora embaixo, ora acima d’água.

  • Estrutura

Optamos por trabalhar com estrutura de vigas e pilares metálicos devido à suas vantagens quando à liberdade na divisão interna do módulo e nos materiais de vedação externa. Outra vantagem também é a demanda reduzida de tempo para sua montagem, o que gera economia nos custos com mão-de-obra e menor prazo para a entrega da moradia pronta.

A estrutura será composta de pilares de perfil de seção caixão e vigas de perfil I padrão europeu de 26cm de altura.

Viga I padrão europeu e seção caixão do perfil do pilar

  • Laje

A laje utilizada no projeto é steel deck, composta por uma telha de aço galvanizado e uma camada de concreto.

Corte esquemático da laje steel deck

  • Modulação

Utilizamos uma malha quadrangular de 0,40m de lado para a concepção do módulo base. As medidas dos cômodos que compõe o módulo grande ficaram basicamente 3,20m, 3,60m e 4,80m. As divisões internas seguem a linha da malha e dividem-se conforme a necessidade de cada uso.

Modulação em 0,4mx0,4m (Clique aqui para ampliar a imagem)

Vedações externas e internas

  • Vedações externas

A escolha das vedações externas levou em consideração conforto térmico no interior da moradia. Foram utilizadas placas cimentícias em algumas fachadas e painéis de madeira em outras. As placas cimentícias formam um sanduíche, recebendo uma camada de lã de rocha entre elas, para isolamento termo-acústico.

Detalhe da vedação externa

  • Vedações internas

Para as divisões internas, optamos pela vedação em dry wall, que possui menor espessura em relação às demais, aumentando a área interna utilizável. Ela também confere leveza à obra, além de levar menos tempo para sua execução e redução nos custos. Quanto ao isolamento acústico, no interior das placas de gesso da parede, utiliza-se uma camada de lã de rocha, que garante também conforto térmico.

Detalhe da vedação interna

  • Cobertura

Na cobertura também foi utilizada a laje steel deck. Nos prédios de 4 pavimentos serão utilizados telhados jardim, e neles serão instalados os painéis solares. Nas casas, todas terão telhado jardim, exceto a parte do terraço do módulo de 2 andares, que será de concreto e revestimento em piso cerâmico.

Acabamentos

  • Piso

O piso utilizado em todas as residências é o mesmo, cerâmico de baixo custo. As peças escolhidas são quadradas, de 20cm de largura, o que reduz as quebras de piso devido a peça se encaixar na malha utilizada para a concepção da planta baixa. Os decks das casas térreas e de 2 pavimentos serão de madeira tratada.

  • Esquadrias

Foram escolhidas esquadrias de alumínio para os conjuntos. Além de sua fácil instalação, são duráveis e de baixo custo e manutenção. As janelas possuem três abas de correr, duas venezianas de alumínio e uma de vidro transparente. Teremos três padrões básicos, sendo uma de 1m de altura e 0,4m de largura, outra de 1m de altura e 0,8m de largura, e as dos banheiros, com 0,5m de altura e 0,8m de largura.

  • Escadas

As escadas dos módulos de 2 pavimentos são metálicas, pré-fabricadas. Elas já vêm prontas, modulares, e são apenas colocadas no local previsto. Os próprios pedreiros conseguem manuseá-la, devido seu baixo peso, sem necessidade de usar maquinário para isso.

  • Painéis solares
Os painéis solares estão no telhado jardim dos módulos. Sua inclinação é de 27° em ralação à horizontal, e sua superfície fica voltada para o norte, conferindo maior rendimento dos coletores.
Arquivos:

Manguetown – Projeto Final

7 dez

Esta noite sairei, vou beber com meus amigos… ha!
E com as asas que os urubus me deram ao dia
Eu voarei por toda a periferia
Vou sonhando com a mulher
Que talvez eu possa encontrar
E ela também vai andar na lama do meu quintal
Manguetown!

– Chico Science.

Introdução:

Nesta etapa final de desenvolvimento do projeto para uma habitação social em Florianópolis o grupo buscou aprofundar as diretrizes conceituais, estudar com maior precisão as estratégias de conforto e sustentabilidade adotadas e demonstrar da forma mais clara possível as ideias de projeto através de detalhamentos gráficos de materiais, estrutura, sistemas adotados e outros aspectos importantes.

As diretrizes de projeto mantiveram-se as mesmas desde sua concepção original, cabendo ao gurpo aprofundá-las e criar maneiras de interligá-las no projeto. Buscando a melhor insolação e ventilação das unidades familiares, os blocos foram locados de forma não perpendicular à rua, abrindo espaço para uma implantação que quebra com as linhas ortogonais do bairro, atendendo à outra diretriz inicial de projeto. A permeabilidade visual e de acessos às residências e ao parque foi trabalhada através da arquitetura desconstruída dos blocos – criando passagens no bloco térreo – e através dos materiais utilizados, principalmente o vidro na fachada sul. Por entre os blocos foram criadas áreas de estar sombreadas que incentivem a convivência entre vizinhos.

A seguir serão demonstradas através de imagens, esquemas e desenhos técnicos as estratégias utilizadas para atingir cada um dos objetivos de projeto e como estes se encaixam nas diretrizes conceituais.

Referências:

                Para iniciarmos o projeto, buscamos algumas referências em outras habitações sociais que fogem dos padrões utilizados no Brasil. Buscamos projetos que se aproximassem de nossas diretrizes e que trouxessem algo novo ao que já conhecemos em termos de soluções arquitetônicas, formas e materiais.

O projeto que mais nos serviu de referência foi o Complexo Lucien Rose, em Rennes, França. Este projeto traz um novo conceito de habitação social e alia as habitações com outros usos.


                Outro projeto que serviu de referência como um exemplo de habitação social foi o Conjunto Monterey, projeto da Elemental Architecture, que trabalha com uma implantação de forma a criar espaços comuns, evitando o isolamento dos moradores em seus apartamentos.

Conjunto Habitacional Monterey

Implantação:

Implantação no terreno

A implantação do conjunto tem início no mercado Martins, um ponto de referência para o local, situado na esquina da servidão com a Avenida Diomício Freitas, principal via do bairro. Devido importância do mercado como ponto de encontro e referência, optou-se por agregar ao mercado um café aberto na parte dos fundos, fazendo com que esta edificação dê início ao traçado da servidão. Na sequência da implantação do mercado optou-se pela locação de cinco blocos – que serão melhor descritos na sequência – com duas salas comerciais no térreo e um apartamento no pavimento superior. O mercado, com o café adicionado ao fundo,  compõe uma área de estar e lazer com o primeiro bloco comercial, já que a idéia é que este primeiro bloco também tenha uso de alimentação.

Início da implantação dos blocos comerciais

A partir dessa composição, que se deu por uma conexão em caráter de praça de alimentação, avançou-se para dentro da área. Entre o segundo e terceiro bloco desta primeira parte da servidão se apresenta uma área com garrafão de basquete, e área infantil para brincadeiras, assim como de estar para os usuários. Entre todos os blocos existe uma pequena área de estar, incentivando os moradores e visitantes a circular por entre as salas comerciais. No entorno destes estares, há a presença de um eixo verde, que permeia até o fim da servidão, conectando-se com o parque que permeia o mangue.

Avançando na servidão em direção ao mangue, após a área comercial, há uma área de estar interrompida por uma via, que foi aberta como uma alternativa de acesso para melhorar a permeabilidade dos automóveis e dos moradores da servidão. Após a abertura da via, a área de estar continua, servindo como área de transição do caráter comercial para o caráter residencial. Constituindo a área das residências foram especificados dois tipos de bloco residencial, com diferentes composições das unidades, porém com o mesmo partido, de uma arquitetura permeável e desconstruída. Em todos os blocos, desde os comerciais até o residenciais, implantou-se uma área livre no térreo, entre duas partes do bloco, permitindo uma passagem principal e significativa, proporcionando maior integração entre os usuários. Outra maneira utilizada para a implementação desta arquitetura permeável foi o uso dos materiais, sendo o vidro o de maior destaque, devido à possibilidade da permeabilidade visual.

A orientação dos blocos foi feita para que as áreas nobres tivessem algumas horas de insolação direta em todos os dias do ano, uma vez que a área é bastante úmida e necessita da luz solar para amenizar o surgimento de mofo e fungos. Para garantir que os blocos não interferissem na insolação do bloco vizinho, foi feito um espaçamento de 15 metros entre os blocos habitacionais e de 10m entre os blocos comerciais. Intercalando com as habitações estão os estacionamentos do conjunto. A opção de garagem no subsolo foi descartada uma vez que o terreno é bastante frágil e seria necessário um grande gasto com fundações profundas, gasto desnecessário para uma habitação de interesse social. Para incentivar ainda mais o convívio entre vizinhos, nestas áreas de 15 metros entre os blocos, foram destinadas áreas para hortas comunitárias – com composteiras – e para parquinhos infantis.

Edificações:

                A principal diretriz para a construção das edificações foi a criação de uma arquitetura desconstruída e permeável. Para realizar esta desconstrução, buscou-se a variação de alturas e de fachadas, evitando assim a construção de blocos habitacionais tradicionais. Inspirando-se na elevação sobre pilotis da arquitetura moderna idealizada por Le Corbusier, a permeabilidade entre os blocos foi criada no térreo, criando um eixo visual e de passagem.

                Os blocos comerciais, mais próximos ao mercado, possuem um módulo residencial no segundo pavimento, direcionado para habitação de um comerciante que tenha interesse de residir sobre seu comércio. Este caráter residencial também influencia no cuidado da área, por tornar o ambiente mais seguro através dos “olhos de Jane Jacobs”, os olhos da rua.

Os blocos do restante da servidão são exclusivamente residenciais e se dividem em duas tipologias: de 5 e 6 apartamentos. A composição das moradias na volumetria do bloco foi feita de forma que todas as salas e quartos recebessem a insolação desejada, ao contrário dos conjuntos habitacionais tradicionais que “espelham” os apartamentos na planta, valorizando a insolação de um apartamento sobre os outros ou não valorizando nenhum.

Planta Baixa do Pavimento Térreo - Bloco Residencial I

Planta Baixa do Segundo Pavimento - Bloco Residencial I

Planta Baixa do Terceiro Pavimento - Bloco Residencial I

Planta Baixa do Pavimento Térreo - Bloco Residencial II

Planta Baixa do Segundo Pavimento - Bloco Residencial II

Planta Baixa do Terceiro Pavimento - Bloco Residencial II

Unidades habitacionais:

                Após a definição das diretrizes e objetivos de projeto, passou-se a definir as unidades habitacionais de forma modular, com uma kitnet como módulo básico e fazendo as mudanças de tipologia somente pela adição de mais um dormitório (apartamento de dois quartos) ou mais um dormitório e um banheiro (apartamento de três quartos). A variação de tipologias ao longo do conjunto é uma forma de atender à usuários de diferentes características e diferentes necessidades.

Em todos os apartamentos buscou-se o alinhamento da sala e dos quartos para a melhor orientação por serem áreas nobres, deixando as áreas molhadas voltadas para o sul. Este layout interno permitiu a construção de apenas uma parede molhada por apartamento, facilitando a construção e evitando o gasto desnecessário com tubulações de água fria, quente e esgoto.

Esquema de modulação dos apartamentos.

Esquema da divisão dos apartamentos

Estrutura:

A escolha da utilização do steel frame como estrutura dos blocos foi devido à sua rapidez de construção e baixo custo quando utilizado em larga escala, como em construções de interesse social. O fato de ser uma estrutura pré-fabricada favorece também a limpeza da obra e a rapidez de execução. O steel frame, por permitir a construção de vedações mais finas, permite um aumento na área útil das construções e é aliado da construção sustentável, uma vez que exige a utilização de isolantes termoacústicos, que melhoram o conforto térmico interno e reduzem a necessidades de sistemas mecânicos de conforto, como o ar condicionado ou o aquecimento elétrico.

Os vídeos a seguir mostram processos de montagem de residências em steel frame e sua rapidez:

http://www.youtube.com/watch?v=DjYcUWAL_cY

http://www.youtube.com/watch?v=WEmOQNCCkn8

Imagens de detalhamento de montagem do Steel Frame:

 A modulação do steel frame foi feita com um espaçamento de 1,2m, sendo eventualmente dividido em dois espaçamentos de 0,6m. Estas medidas foram determinadas de acordo com a dimensão das vedações de placa cimentícia comercializadas. Uma das poucas desvantagens na utilização do steel frame para a construção é que ele não suporta grandes vãos e balanços. Nos casos em que isto ocorre nos blocos habitacionais – principalmente nos vãos de passagem entre os blocos – optou-se pela utilização da estrutura metálica tradicionais, com pilares e vigas, pois peças com menores seções suportam maiores vãos.

A fundação para o steel frame deve ser do tipo radier, para a melhor colocação dos guias de piso e montantes. Como a região é de aterro do mangue, que é de baixa resistência, a fundação escolhida também serve de maneira apropriada.

Vedações e aberturas:

Para vedação exterior e para as divisórias internas, optou-se pelo uso de placas cimentícias, as quais possuem medidas pré-definidas pelas empresas fabricantes. A espessura escolhida foi de 6mm, com comprimento de 1,2m e altura de 3m. Devido à modulação e intolerância do steelframe a grandes vãos, as placas cimentícias possuem necessidade de serem usadas no comprimento de 0,6m. A espessura da vedação é 102mm, com o montante de 90mm de largura e as placas cimentícias de 6mm. A utilização de placas cimentícias se dá pelo fato de ter custo reduzido em relação a placas de gesso acartonado e por serem mais efetivas em isolamento acústico que estas.

Placa cimentícia

As vedações que destoam do restante interiormente são os painéis do primeiro quarto da modulação. O quarto possui um painel móvel e outro removível, tornando possível ao usuário a mobilidade do ambiente, escolhendo o layout de preferência.

Nas vedações internas e externas, entre as duas placas cimentícias utilizadas para fazer a vedação tipo “sanduíche”, foi escolhida a lã de rocha como isolante termoacústico, também pela questão do baixo custo com relação à outros materiais isolantes. O acabamento externo das placas cimentícias é feito com pintura tradicional nas paredes internas e externas. Nas paredes molhadas é utilizado o revestimento cerâmico, que exige uma cola especial para aderência mas que, visualmente, é igual ao revestimento cerâmico utilizado em paredes de alvenaria convencional.

As aberturas foram trabalhadas nos blocos de forma a aproveitar a melhor insolação e permitir ventilação cruzada. As esquadrias utilizadas foram tradicionais de alumínio, por seu baixo custo, fácil instalação e por não gerar muito peso sobre a estrutura de steel frame. Os tipos de aberturas variam de acordo com seu posicionamento no bloco e, por consequência, sua orientação solar e de ventos. Foram utilizadas janelas de correr, guilhotina, basculante e pivotante, conforme o especificado na tabela de esquadrias e detalhamento.

Estratégias Bioclimáticas e Sustentabilidade:

                Com o objetivo de estabelecer uma habitação mais confortável e sustentável, buscou-se utilizar sistemas passivos e mecânicos que possuem uma eficiência mais palpável. Para fornecimento de uma parte da água para uso de higiene, implantou-se o sistema de captação de água pluvial através da implantação de telhados verdes. Os telhados verdes são uma ótima alternativa para filtrar a água das chuvas até o sistema de captação e reservatório pois se utilizam de vegetação natural. Além disso, garantem um melhor conforto térmico interno nas edificações e, em larga escala, podem reduzir a temperatura dos ambientes urbanos. São bons reguladores do oxigênio e da umidade do ar, além de possuirem uma ótima qualidade estética, especialmente neste projeto, pois compõem um eixo verde além da vegetação.

Camadas de instalação do Teto verde

A captação de águas pluviais feita através do teto verde fornece água para a área de serviço e para o banheiro, na parte da descarga. Para aquecimento da água potável utilizada no interior das edificações, foi adotado o sistema de captação de energia solar. Os painéis solares foram devidamente implantados nas coberturas dos edifícios, voltados para o norte verdadeiro e com a inclinação devida, igual à latitude de Florianópolis (aproximadamente 27°).

Como a área se localiza próxima ao mangue, foram implantados canais de drenagem ao longo da servidão. Este sistema ameniza o problema de alagamento que alguns pontos do local apresentam, sem a necessidade de elevar as edificações e, consequentemente, dificultar o acesso às edificações. Os canais de drenagem servem também para absorver a subida das marés que atingem o bairro através do mangue.

Outra maneira de prover maior conforto ao usuário foi a utilização das aberturas de maneira que estas proporcionassem ventilação cruzada. Em alguns apartamentos, isto ocorre de maneira bem eficiente, porém em outros, devido à conexão entre o bloco desconstruído, isto só ocorre nas situações em que as janelas dos corredores se encontram abertas. As aberturas também foram posicionadas para garantir o maior tempo de insolação possível ao longo do dia, diminuindo a necessidade da iluminação artificial.

Esquema da ventilação cruzada

As composteiras colocadas próximo às áreas de hortas comunitárias também podem ser incluídas nas estratégias de sustentabilidade. A composteira é um método de diminuir a produção de lixo orgânico nos lixões urbanas e reaproveitar os nutrientes para o cultivo de plantas.

cobertura_comercial

esquadrias janela

detalhe2

detalhe1

cortes_residencialI

cortes_comercial

corte_blocoresidII

pavimentoterreo_blococomercial

pavimentoterreo_blocoresidI

pavimentoterreo_blocoresidII

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segundopavimento_blocoresidI

segundopavimento_blocoresidII

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terceiropavimento_blocoresidII

Conjunto Habitacional no Carianos

11 nov

CONJUNTO HABITACIONAL NO CARIANOS: PROPOSTA INICIAL

 

DIRETRIZES GERAIS:

-Transformar a atual servidão num eixo de ligação entre o bairro e a futura área verde deste;

– Criar um conjunto urbanístico e arquitetônico permeável, tanto visualmente, com a criação de perspectivas atrativas ao usuário, quanto nos acessos do bairro à servidão;

– Integrar os espaços públicos e privados de forma a não somente propiciar a interação entre os moradores, mas criar uma nova relação entre estes e a própria vivência comunitária;

– Favorecer também a ligação dos moradores com seu entorno, com uma conexão com o mangue e o bairro em si.

– Criar uma nova forma de morar, integrando, como já foi citado, o público e o privado, com casas sem muros que tragam o exterior ao interior e vice-versa.

INTRODUZINDO O PROJETO:

Neste projeto, localizado no bairro Carianos em Florianópolis, escolheu-se uma servidão que, como o bairro inteiro, é praticamente toda plana. Sua extensão é de aproximadamente 560 metros, chegando até o limite com o mangue.  Paralela à toda extensão da servidão, há um terreno sem edificações, tornando possível ao grupo a implementação deste no projeto, como se fosse uma extensão do terreno original, que passou, portanto de 15 metros de largura para 55 metros, aproximadamente.

Localização da servidão no bairro

No plano diretor desta área, há atualmente um projeto de uma grande área verde de lazer para o bairro no limite do mangue, que no caso abrangeria a área do final da nossa servidão. Deste modo, o grupo optou por transformar o que atualmente é a servidão em um canal de ligação do bairro a esta futura área verde.

Futura área verde do bairro

Assim, modificamos a servidão, constituída atualmente por vários lotes, transformando-a em um “lote único”, que possibilita a implantação de nosso conjunto habitacional se dar de uma forma mais livre, de acordo com a intenção do próprio projeto. Assim, criam-se eixos que valorizam as perspectivas, inserindo áreas de lazer comuns entre as edificações, com espaços para atrair o público do bairro, unindo o que é espaço público com o que é privado.

É possível deste modo, fazer passeios e pequenas praças ou equipamentos que não fiquem exatamente paralelos à rua, tornando a servidão uma área equilibrada entre um parque linear e um conjunto de residências. Novos acessos para carros e ruas foram criados para a servidão, destacando sua futura importância em relação ao bairro.

IMPLANTAÇÃO:

Pela grande extensão do terreno da servidão, concluímos que as habitações serão separadas em blocos térreos, que distribuídos ao longo do terreno darão uma quantidade suficiente de moradias. Estes blocos serão constituídos por casas com a fachada principal virada para o norte, e deste modo, fazendo um deslocamento entre um módulo e outro para melhor aproveitamento da insolação, e variando suas alturas (alguns duplex e outros térreos), criando-se desenhos variados nestes blocos, sendo cada um único, porém todos com a mesma linguagem de implantação, tentando não quebrar o ritmo do bairro.

Cada bloco foi implantado de acordo com os espaços e fluxos criados, aliando o espaço que é privado das residências aos jardins e passeios públicos do parque. Porém, foram priorizados os acessos que os moradores têm às suas casas, estando o estacionamento em áreas delimitadas entre um bloco e outro.

Imagem da implantação geral

Fluxos principais criados na servidão

Perspectiva geral da servidão

HABITAÇÕES:     

As casas, fazendo parte do Programa Minha Casa Minha Vida, tem características de habitações populares, com projetos que privilegiam o baixo custo de execução aliados ao caráter social de moradias.

Sendo um projeto voltado para o futuro, pensamos em uma maneira diferente de morar: as casas não têm muros, e o exterior é integrado ao máximo com o interior. Utilizam-se técnicas de conforto térmico, bem como sistemas passivos e ativos de energia.

Pela proximidade do bairro ao mangue, trabalhou-se com a possibilidade de ocorrerem alagamentos na área, o que faria com que as casas fossem elevadas do solo.

Pensando nas mudanças que ocorrerão no bairro nesta década, como a construção do novo terminal do Aeroporto e de um campus da UFSC, foi estabelecido o padrão dos futuros moradores do bairro para assim analisar as melhores condições para as residências, bem como seu caráter.

Adotou-se basicamente 3 tipos de casas, sendo duas térreas e uma duplex, variando o número de quartos uma em relação a outra.

Perspectiva do apartamento de dois quartos

 

Planta Baixa do apartamento de dois quartos

Grupo: Angela Marschall, Célio, Vinícius Scofano


Conjunto Habitacional Manguetown

10 nov

O Conjunto Habitacional Manguetown, no bairro Carianos, busca uma relacionar novas possibilidades de moradia social, aliando a sustentabilidade ao baixo custo. A localização do conjunto demanda a criação de uma relação com o manguezal do Rio Tavares, já que atualmente ela é inexistente. Foi pensando na relação com o mangue que o conjunto foi batizado. Além de associar o mangue com a cidade, o nome também é uma homenagem ao cantor Chico Science, que via esta relação da cidade com o ecossistema em Recife, sua cidade natal.

 

O desenvolvimento do projeto, suas referências e o resultado final podem ser conferidos no documento em anexo.

Esperamos que gostem!

 

Ana Luíza Cartana, Caio Sabbagh e Paula Cury

manguetown

Servidão Gervásio José da Silva

5 out

LOCALIZAÇÃO

Localização


A Servidão Gervásio José da Silva situa-se no bairro Carianos, no sul da Ilha de Santa Catarina.

O BAIRRO

Mapa esquemático do bairro Carianos

O Carianos é um bairro de proporções pequenas, totalmente plano, isolado de outros bairros e pouco conhecido por seu nome. As referências ao bairro se fazem, geralmente, por seus pontos marcantes: o Estádio Aderbal Ramos da Silva (Ressacada) e o Aeroporto Hercílio Luz. Quanto às atividades locais, o bairro é praticamente autosuficiente. Existe um comércio local bastante variado que é concentrado principalmente na avenida central – padarias, açougues, lanchonetes, restaurantes, postos de gasolina, lojas de conveniência, salões de beleza, entre outros. Nas ruas secundárias também existem alguns equipamentos básicos como o posto de saúde do bairro, uma escola estadual, creches municipais, entre outros. As poucas áreas de lazer e esporte do bairro estão degradadas e, por isso, são subutilizadas.

O Aeroporto Internacional Hercílio Luz é o principal ponto de referência do bairro

Próximo à entrada da servidão existe alguns pontos de comércio local.

LEGISLAÇÃO

Segundo o anteprojeto do Plano Diretor Participativo, o Carianos constitui-se como uma área majoritariamente residencial. Nossa área específica é o que hoje chamamos de Área Residencial Exclusiva, e tem a peculiaridade de possuir o limite máximo de quatro pavimentos, devido à proximidade com o aeroporto.

A área de estudo segundo o novo plano diretor

PROJETOS FUTUROS

Existem dois projetos ainda não iniciados que implicarão em grandes mudanças no bairro e, por consequência, na servidão em questão. O primeiro projeto é a construção de um novo terminal de passageiros para o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, bem como a ampliação da pista de pouso e a construção de uma via de acesso rápido para o novo terminal. Muito próximo desta área está prevista a construção de um novo campus da UFSC, atualmente denominado de Fazenda Experimental da Ressacada, que abrigará salas de aula e laboratórios do CCA – Centro de Ciências Agrárias.

Mapa prevendo a nova localização do CCA - UFSC.

A SERVIDÃO

Localização da Servidão

 A servidão teve sua origem na subdivisão de um grande lote que pertencia à apenas uma pessoa. Para que os lotes menores tivessem acesso a partir da rua principal do bairro, foi construída a servidão. No início, todos os lotes da servidão pertenciam à mesma família. Atualmente, somente três familiares do proprietário do lote original moram no local. A entrada da servidão tem ligação direta com a avenida central do bairro e situa-se próxima de comércios e serviços. Algumas características atuais da servidão:

1- Rua muito estreita, permitindo a passagem de somente um carro por vez;

2- Calçada praticamente inexistente em toda a extensão da rua. Nos pontos em que se faz presente, a calçada possui cerca de 30cm de largura;

3- Rua sem saída e sem ligação com outras ruas paralelas, tornando-se isolada;

4- A pavimentação é feita com paralelepípedos, proporcionando uma maior permeabilidade do solo em caso de enchentes;

5- O fim da rua aproxima-se do mangue;

6- Os terrenos possuem pouca profundidade (no máximo 10m) com relação à testada;

7- Muitas casas utilizam mais de um terreno, sendo um para a casa em si e o adjacente para garagens, depósitos, hortas, entre outros usos.

8- Entre o início e o fim da rua nota-se um contraste das edificações: na primeira metade, mais próxima à avenida central, as casas pertencem à famílias de maior poder aquisitivo; na segunda metade, residem as famílias de menor poder aquisitivo;

9- Ao fim da rua existe uma grande faixa de terrenos vazios, sem divisão precisa dos lotes, onde é despejado muito entulho.

Nesta foto é possível perceber as calçadas estreitas da rua.

Vista da entrada da servidão, a partir da avenida principal.

Famílias de baixa renda, mais próximas do fim da rua

Demonstração do entulho que se acumula na faixa de terrenos vazios

Imagem do fim da servidão. Ao fundo, a proximidade com o mangue

 CONCEITO DO PROJETO – PLURALIDADE DE USOS E USUÁRIOS

Baseando-se em diretrizes lançadas no mapa conceitual, a intenção do projeto é manter o caráter familiar de interação social que já se faz presente na área. Isto se dá como consequência do estabelecimento das famílias na servidão analisada. Deste modo, nosso conceito de projeto se fundamenta na integração entre os usuários através de uma arquitetura permeável e democrática, provida por espaços comunitários polivalentes que se correlacionam ao âmbito privado, respeitando-o.
MAPA CONCEITUAL

Mapa Conceitual

DIRETRIZES DE PROJETO INICIAIS
1- Edificações em fita;
2- Melhor aproveitamento da incidência solar;
3- Acomodação de 3 a 4 famílias por bloco;
4- Áreas de convívio por entre os blocos;
5- Aproximação com o mangue;
6- Adaptação às novas configurações populacionais do bairro.
IMPLANTAÇÃO

Idéia inicial de implantação

Estudos Iniciais

29 ago

Olá a todos!

Em anexo estão os estudos do grupo sobre cada uma das obras, separadamente. O texto de comparação e conclusões pode ser encontrado no link http://proj4ufsc.wordpress.com/2011/08/29/estudos-iniciais-grupo-zenite/.

Tenham uma ótima semana!

Links para os arquivos:

Zerow House

Ikaros Bavaria

Alto da Bela Vista

Bem vindos!

24 ago

Olá a todos!

Este é o primeiro post de muitos que estão por vir neste semestre! A cada etapa deste trabalho, iremos postar o resultado neste blog, para que todos possam acompanhar o processo de projeto.

Sejam bem vindos ao semestre 2011.2!!!

;D

Ana Luíza Cartana, Angela Marschall, Caio Sabbagh, Célio Sztoltz, Paula Cury, Vinícius Scofano